quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Atrás da Estante



Verão em Porto Alegre, poucas opções para aplacar o calor a não ser o templo refrigerado que se vislumbra ao longo da planície tórrida: o shopping center. O que me interessa nesse verdadeiro oásis são as livrarias, atualmente convertidas em comércios eletrônicos para não fecharem as portas. TVs de última geração, aparelhos de celular, Ipad, Ipod, games, cd’s, dvd’s, miniaturas colecionáveis, camisetas e tantos outros objetos dos sonhos... nada me seduz tanto do que a versão masculina de um harém, os livros.

São infinitas obras de conhecimentos, cultura e prazer para qualquer amante da leitura. Uma tentação. Mas o que é uma tentação quando se está determinado a não comprar nada? Comichões que afloram no corpo, começando nos pés, terminando no lóbulo da orelha e transformados em suspiros a cada obra folheada, cheirada, manuseada.  Não é um não querer comprar, mas sim um não poder. Minha estante está cheia de livros ainda não lidos, comprados a todo o momento e se eu fosse levar todos os que vejo, toco e desejo, contrairia dívidas eternas. Nem todo o tempo e dinheiro do mundo seriam suficientes para aplacar a vontade de possuir obras desejadas. Não lembro quem disse, mas sempre repito “tantos livros para tão pouca vida”.

Assim como muitas pessoas leio vários ao mesmo tempo. Nada de mais para quem entende essa prática. Um livro pequeno (de tamanho) na bolsa para as horas em que é preciso ficar parada, esperando nas filas de bancos, consultórios médicos e outros lugares. Outras obras para ler antes de dormir, nesse caso umas duas ou três. Até no banheiro é preciso ter um objeto de leitura.

Mas diante de tanta ânsia fico intrigada e comparo as pessoas que leem muito com as que não leem nada ou pouco. O que representa essa diferença? Muitas vezes acredito no aprimoramento pessoal e profissional. Porém, quando vejo o grupo dos que não abrem um livro por ano se dando bem, guardo minha crença atrás da estante, naquele espaço empoeirado, onde a vassoura não chega.





2 comentários:

  1. Gostei do texto e do blog. Vou bisbilhotar de vez em quando.

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    1. Obrigada Flávio. Como diz o cara aquele, espie a vontade!!

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